segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Artista Paranaense participa de exposição internacional


A arte de Désirée Sessegolo, designer e empresária paraense, não conhece fronteiras. A artista participa de uma exposição coletiva em Nova York, na Galeria Ward-Nasse. O evento acontece de 15 de dezembro a 06 de janeiro de 2011 e também terá a participação de outros artistas contemporâneos brasileiros. 

As peças de Desirée que compõem a exposição foram desenvolvidas através de um método de fusão especial. As esculturas são de vidro trabalhado com técnicas específicas e únicas que as tornam fortes na estrutura e de essência delicada. Désirée trabalha com cerâmica e vidro há três anos e busca constante aprimoramento. “Iniciei com cerâmica e em seguida a cerâmica com queima em Raku e depois com vidrofusão”, explica.  


Para conhecer melhor o trabalho da artista acesse: www.ceramicaevidro.com




Redação: Luana Gabriela
Fotos: Divulgação




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Martha Medeiros fala sobre seu novo livro Fora de mim e sobre o atual cenário da literatura nacional

Martha Medeiros é gaúcha de Porto Alegre, a cidade celeiro de grandes nomes da literatura nacional. Admirada por muitos escritores brasileiros, ela lança seu novo romance “Fora de mim”. Não há lançamento previsto para Curitiba, mas o 500g de Cultura conversou com a escritora sobre a nova obra, sobre literatura na internet entre outros temas. Acompanhe a entrevista completa, concedida por e-mail. E ainda um trecho do livro e uma pesquisa de preços entre as maiores livrarias presentes em Curitiba.
Lançamento do Fora de mim na Livraria Saraiva,em Porto Alegre

500g - Como foi o processo de composição desse seu novo livro: Fora de mim?
Martha - Comecei a escrever esse livro em 2008, numa época em que estava passando por uma tristeza semelhante a da personagem. Mas logo interrompi a continuação do livro e lancei o Doidas e Santas. Só agora, em 2010, é que retomei a narrativa, já desapegada daquela dor antiga e investindo fundo na ficção. O livro ficou completamente diferente do que eu imaginava no início.

500g - Sua obra Divã, já foi adaptada para o cinema e para o teatro. Há possibilidade ou alguma especulação de que o Fora de mim, percorra o mesmo caminho?
Martha – Não há nada conversado, mas se alguma atriz se interessar em montar o livro, estarei aberta a ouvir. O livro tem potencial para se desdobrar. 

500g - Esta obra é um romance, você já lançou livros de poesia, e é cronista em um dos maiores jornais do país: o Zero Hora. Em qual estilo literário você se sente mais a vontade, por quê?
Martha - Tenho mais prática com a crônica, ela faz parte do meu dia-a-dia. A poesia segue sendo um “hobby”. Mas é a ficção que hoje me dá mais prazer, pois é mais desafiador, eu ainda não tenho fôlego suficiente para contar uma história longa, então é através da ficção que me exercito mais, me aplico mais, dou mais de mim.

500g - Atualmente há milhares de blog’s literários em língua portuguesa. Muitos autores alcançam oportunidade para publicar através do trabalho na web. Você acredita numa geração de escritores vindos da web para os livros?
Martha - Acredito, claro. O blog não é excludente, não é um gueto, é apenas mais um veículo de divulgação de textos. Porém, como são muitos os blogs, é difícil encontrar alguém que realmente se sobressaia, mas há muita gente boa escrevendo. 

500g - Você costuma ler blogs literários? Se sim, quais?
Martha - Sinceramente, não acompanho blogs, não tenho tempo. Às vezes alguém me indica alguma coisa, dou uma olhada, mas não me torno fiel.

500g - Quais autores foram fundamentais para sua formação como escritora?
Martha - Tudo que eu leio, até hoje, me ajuda na minha formação, mas se eu tivesse que citar apenas um nome, citaria Marina Colasanti, ela foi decisiva na minha formação como mulher, mais do que tudo. 

500g - Que livro está lendo atualmente?
Martha - “Os íntimos”, da portuguesa Inês Pedrosa. Estou gostando bastante.

500g - O Rio Grande do Sul é conhecido por lançar diversos escritores reconhecidos nacionalmente, só entre os autores contemporâneos pode-se citar Luis Fernando Veríssimo, Caio Fernando Abreu, Fabrício Carpinejar e você. Há alguém que você possa apontar como expoente da literatura gaúcha atualmente?
Martha - Luis Fernando e o falecido Caio são ícones incontestáveis, assim como Lya Luft. Gosto muito do trabalho da Cintia Moscovich, mas quem realmente tem se destacado na paisagem literária gaúcha é mesmo Fabrício Carpinejar, que parece ser um vulcão em constante erupção, lida com as palavras de um jeito vigoroso e criativo, e sua literatura está não apenas no que ele escreve, mas na forma como vive, se veste, se expressa. Não existe distância entre autor e obra.

Para quem busca visibilidade no meio literário nacional, quais são suas dicas?
Martha - Paciência, antes de tudo, porque o mercado não consegue absorver tanta gente produzindo. Humildade, porque há aqueles que pensam que possuem mais talento do que realmente têm. E perseverança. Outra coisa: muita leitura. Muita! E ter uma vivência real, gostar da vida no que ela tem de bom e ruim, se jogar, ser uma pessoa que não veio ao mundo a passeio, mas que se entrega às suas emoções.

Leia abaixo um trecho do Fora de mim: 

“Eu sabia que terminaríamos, eu sabia que era uma viagem sem destino, sabia desde o início e não sabia, não sabia que doeria tanto, que era tanto, que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber um amor, entender um amor, tanto que terminou sem muito discurso, foi uma noite em que você quase pediu, me deixe. Ora, pra que me enganar: você realmente pediu, sem pronunciar palavra, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te trato, repare em como não te quero mais, me deixe, e eu, de repente, naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia em que falei com você pela primeira vez, desde uma tarde em que ainda nem tínhamos iniciado nada e eu já amadurecia o fim, e assim foi durante os dois anos em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de paixão e luto, me preparando para o amor e a dor ao mesmo tempo, achando que isso era maturidade. Que idiota eu sou, o que é que amadureci?”

O livro está à venda nas melhores livrarias de Curitiba.
Confira os preços:
Saraiva (Online): R$ 19,80
Livrarias Curitiba (Online): R$ 29,90
Fnac (Online): R$ 23,90 

Entrevista: Luana Gabriela
Foto: Rodrigo Lorandi - Fonte: www.saraiva.com.br

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Jovens escritores e a web: Cah Morandi representa uma nova geração de autores nacionais

A web é um celeiro de novos talentos da literatura nacional. São inúmeros os blogs literários em língua portuguesa. Não há estimativa de quantos, já que a cada dia novas páginas são criadas e outras tantas deletadas. Um dos exemplos mais conhecidos dessa geração de escritores que alcança visibilidade na internet está Carine Letícia Morandi, mais conhecida como Cah Morandi. 

Com apenas 23 anos de idade já tem um livro publicado e é responsável por diversos blogs literários. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com uma das representantes da nova literatura nacional.


Cah Morandi é uma das mais jovens revelações da literatura brasileira


Quando surgiu seu interesse pela literatura?
Sempre tive um gosto aguçado para a leitura. Desde sempre tive interesse em livros, em conhecer novos escritores. É um amor voluntário pelas palavras.

Quando começou a escrever em blog?
Comecei o primeiro blog em 2006. Iniciei não com a intenção de divulgar as poesias, mas sim para falar do cotidiano, da minha vida. Aos poucos fui partilhando os meus escritos, e aí foi se espalhando, tendo procura, e fui escrevendo mais também... até que o blog virou somente de poesias. Depois montei um de crônicas, que ainda está começando a andar.

Tem algum livro publicado?
Sim, tenho. Lancei em agosto de 2008, com mini poemas, o livro se chama "Borboletas no Estômago".

Porque a preferência pelo estilo literário de crônicas?
Na verdade a crônica é uma paixão que tenho desenvolvido desde 2008, muito forte na minha essência é a poesia. Mas como ler é um hábito que vai nos levando a novas experiências, a poesia as vezes não comportava tudo que tinha para ser dito.

Quais são seus escritores prediletos?
Tenho uma paixão louca por Clarice Lispector. Quem não tem, não é? Li Perto do Coração Selvagem com 13 anos. Claro que não entendi nada, e fui reler depois de adulta, mas desde lá ela ganhou meu coração. Hoje fazem parte da minha "biblioteca pessoal" Lya Luft, Carpinejar, Gabriel García Marquéz, gosto muito de Nélida Piñon e Saramago. E claro, tenho muitos blogueiros que gosto de acompanhar.

De onde vem sua inspiração?
Dons. São dons que Deus nos dá, e é Ele mesmo que nos capacita e aperfeiçoa.

Qual o ponto positivo e negativo da popularização dos blogs literários?
O ponto positivo é que muito gente boa, literalmente, saiu do armário. Vejo muitas pessoas se destacando, escrevendo muito bem, tendo boas experiências, sensíveis. É importante que surja essa diversidade, somos em milhares, e há vários tipos de leituras. Acho fantástico. O lado ruim disso tudo, são os plágios, acontece muito comigo, por isso é importante ter tudo registrado e se precaver com a possibilidade de problemas futuros. Tem mais uma coisa, iniciar um blog é dar "a cara para bater", acontecem pessoas muito interessantes, mas surge também críticas pesadas sobre o seu trabalho. Nunca me importei, não preciso provar nada para ninguém, está lá para quem quiser, minhas palavras são livres.

Você lê alguns blogs? Quais?
Leio muitos blogs, tenho salvo uma lista imensa nos favoritos do meu computador, todo dia dou olhada em alguns, tiro o tempo para a leitura. Tem muita gente com idéias fantásticas, com escritos incríveis. Vale destacar os blogs da Cris Souza - Blog Trem da Lira, Priscila Rodê - Mar Íntimo.   

Você acredita que pode vir a ser uma espécie de Fabrício Carpinejar de saia? Seguindo o mesmo caminho de sucesso que ele?
Seria ousado da minha parte. Fabrício é ótimo, acompanho sempre, compro os livros e devoro num dia. Ele tem um raciocínio íncrivel nas crônicas, e um final arrebatador. "O amor esquece de começar" e "Canalha" são meus preferidos. Inclusive "O amor esquece de começar" é meu livro de cabeceira, junto com o último da Lya Luft "Múltipla Escolha".

Quanto a mim, escrevo, publico. Não faço grande divulgações, mas meu leitores são muito fiéis e levam meu trabalho para muitas pessoas. Todos os dias recebo e-mails carinhosos, e o Twitter também tem colaborado muito. No orkut tem muita poesia minha acontecendo. Fico muito feliz que tenham pessoas se encontrando através das minhas palavras. Hoje não me arrisco a nada, deixo os planos para Deus.

Deixe um trecho de um de seus textos favoritos:
"Esteja atento, não há nenhum aviso prévio, nenhum sintoma antecedente. Quase nem vai lembrar de muitas coisas, apenas da última vez que esteve sobre a plataforma, da última vez que sugou o ar, da última luz que acendia na cidade. Sempre será assim, fazemos as coisas de forma diferente quando as fazemos a última vez.

Há apenas um dia decisivo em toda nossa vida: aquele em que optamos por nosso futuro. É o dia do vôo. Tudo que vivermos depois da escolha será nossa vida inteira."

Qual o endereço dos seus blogs?

De crônicas é o Um olhar para sentir http://umolharparasentir.blogspot.com/ . E tenho o de poesias: http://carinemorandi.blogspot.com

Quem quiser entrar em contato com você pode fazê-lo de que forma?
Através dos blogs e no Twitter também (@cahmorandi). Além de e-mail, claro: poesia@cahmorandi.com.br. Fiquem à vontade!

Há algum projeto literário seu em andamento?
Há pretensões. Estou com muita vontade de publicar um livro somente de crônicas, e em pequenos passos, tenho trabalhado para isso. Tenho paciência, para tudo há um tempo.

Quais são seus conselhos para quem faz literatura na internet?
Saibam usar essa poderosa ferramenta, registrem seu trabalho antes de colocar na rede, leiam outras pessoas, compartilhem textos, façam parcerias, dê possibilidade para ser encontrado. Não faça mil artimanhas para chamar as pessoas para seu trabalho, se ele for bom e interessante, com certeza será buscado. Ah, e não desistam... virá muita gente fazer críticas destrutivas, mas pelas boas pessoas que serão encontradas no caminho, valerá a pena!


Redação e Entrevista: Luana Gabriela da Silva
Foto: Cah Morandi

domingo, 17 de outubro de 2010

Arte Natural

Arte manual, trabalhada com matéria prima natural. Assim pode-se resumir a Marchetaria. A palavra vinda do francês marqueter pode ser traduzida como “embutir”, e refere-se à arte de ornamentar superfícies planas de móveis, pisos e quadros, por exemplo. A base do trabalho é a madeira, mas também pode ser feita com plástico, pedras, metais, etc. De acordo com a técnica utilizada pode-se construir objetos tridimensionais, esculturas, utensílios diversos, quadros, bandejas, porta-jóias, entre outros”, explica Peno Ari Juchem, que trabalha com marchetaria há muitos anos. 

 Uma das obras que compõem a exposição 

O economista e artista realiza sua primeira exposição individual na Livrarias Curitiba, do Shopping Estação, até o fim deste mês de outubro. O interesse pelos trabalhos manuais surgiu ainda na escola, no interior do Rio Grande do Sul. “Ao longo dos meus 69 anos venho me interessando por atividades em madeira. Tenho feito inúmeros artefatos e artesanatos, inclusive com as técnicas de entalhe, filigranas, traforismo e marchetaria, sempre utilizando serra tico-tico manual e estiletes. Essas ferramentas exigem grande destreza e acuidade artística”, conta. 

Peno lembra que foi a partir de 2008 que os trabalhos manuais se direcionaram para a marchetaria. “Fiz um curso dessa técnica, ministrado pelo professor Silvio Antônio Cáceres, no Centro de Criatividade de Curitiba. Desde então tenho me dedicado mais especificamente a essa arte milenar”, diz. O talento do artista já é internacionalmente reconhecido. Peno é atualmente o único sócio do Brasil membro da American Marquetry Society, também possui três trabalhos publicados na revista The American Marquetarian, edição Summer 2010, editada pela associação.

A inspiração para o trabalho tem diversas fontes. “Desenhos, gravuras, quadros, trabalhos de design, moldes e uma infinidade de trabalhos que podem ser adaptados para as diversas técnicas de marchetaria. Curiosamente o cotidiano é uma fonte inspiradora muito valiosa, basta ter senso de observação e perspicácia, pois, um dos meus quadros que muito aprecio teve origem numa toalha de mesa com motivo natalino. Com a toalha debaixo do braço cheguei na copiadora e pedi uma cópia de uma parte dela. A atendente, meio sem jeito, disse: Senhor cópia da toalha? Afirmei que sim e assim surgiu o molde para o meu quadro chamado Natal”, lembra.

Trabalho com inspiração natalina

Peno explica que por enquanto não há uma nova exposição em vista. “Por ora pretendo continuar aperfeiçoando as técnicas de trabalho, pois esta arte exige um contínuo aprimoramento em termos de dedicação, paciência, perspicácia e habilidade artística. Em termos de marchetaria, como em outras artes, a gente continua sendo um eterno aprendiz”, conclui. 

Saiba mais sobre a Marchetaria
Registros históricos revelam que os primeiros trabalhos que se têm conhecimento desta arte, datam de aproximadamente 350 a.C. Localizados na Turquia, no Mausoléu de Halicarnasso, considerado uma das Sete Maravilhas do mundo. Estes primeiros trabalhos eram, em geral, incrustações em mármore.  

As técnicas de trabalhar e o ferramental utilizado seguem evoluindo ao longo dos séculos, possibilitando assim, que o corte dos materiais utilizados passe a ser feito com o uso de estiletes e serras, principalmente manuais, mas também já com a utilização de serras elétricas, porém mais eficientes. Isso permite o corte de traços sinuosos com muita precisão e assim um maior detalhamento e melhor nitidez de motivos complexos.

“A minha área de trabalho concentra-se no uso de lâminas de madeira muito finas, espessura de 0,7 mm, de várias espécies e tonalidades, que, depois de marcheteadas são aplicadas em bases de madeira, geralmente formando quadros com ênfase em cenários naturais, flores, animais, geométricos, entre outros”, explica.

Serviço:
Local: Livrarias Curitiba – Shopping Estação
Data: Até 30 de outubro


Redação: Luana Gabriela da Silva
Fotos: Divulgação 


Mande sua sugestão de matéria para o email: luanagabriellas@gmail.com 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Esta vida é uma viagem pena eu estar só de passagem" Paulo Leminski

Um poeta morre e deixa os versos que compôs, como já poetizou Cecília Meireles. Mas também deixa seu dom espalhado à pele daqueles a quem abraçou e nas veias daqueles que nasceram de uma parte dele.

Solange Leminski lança neste mês de agosto a obra Gerações Leminski. O lançamento faz parte de uma série de atividades para comemorar o aniversário do poeta Paulo Leminski, celebrado no dia 24 de agosto.

Segundo Solange, prima de Paulo, a ideia de reunir escritos da família em um livro surgiu a partir de uma conversa com sócios da editora TodaPalavra. “Resolvemos fazer uma homenagem aos 20 anos sem Paulo Leminski, e como estava em minhas mãos poemas da tia e do pai do Leminski datados de 1928 e 1930, mais os poemas inéditos da Estrela Leminski e os meus poemas engavetados, surgiu a ideia dessa produção e, começamos então a procurar parceria com o Consulado Polonês de Curitiba”, conta.

Conhecido por seu jeito irreverente e direto Paulo criou um estilo. Assim como “djavanear” e “cateanear”, a expressão “leminskiano”. “Ser Leminskiano é extrapolar os limites da poesia e trazer para o nosso universo um dizer próprio sobre o mundo, como se Leminski dissesse em cada poema que todos nós podemos, se quisermos, sermos poeta”, explica Solange.

Ela ainda conta que as próximas edições do livro podem ter novidade. “Podemos inserir mais membros da família que também escrevem”.

O livro pode ser encontrado nas Livrarias Curitiba e na livraria Letras mega store.

Leia trecho de apresentação do livro:

" O artista é inquieto,é curioso e , de certa forma, corajoso ao expressar os seus sentimentos. As mesmas três características são próprias do imigrante. É preciso ter muita inquietude ao pensar no abandono de todo conhecido para começar uma nova vida no outro lado do oceano. É preciso ainda mais coragem para realizar essa ideia. Graças a Deus, o destino favorece os ousados, porque são eles que mudam o mundo,

Assim o coração de polaco que evocava o Paulo Leminski nos permite tratá-lo como compatriota mesmo que escrevesse somente na língua portuguesa. Também esse Leminski compartilhado está refletido na sua poesia e, sem dúvida ; é uma das suas características mais preciosas.

Com certeza Solange Leminski não fecha o livro artístico de sua família, e no futuro vamos ter ainda mais contribuição da família Leminski na expressão artística brasileira enriquecida pela alma polonesa dos antepassados."
(Dorota Joanna Barys , Cônsul Geral da República da Polônia em Curitiba )

Ainda em homenagem ao poeta e músico, a Livrarais Curitiba realiza Ciclo de Música apresentando canções e histórias do artista.
Para saber mais acesse o site: www.livrariascuritiba.com.br



Solange uma das autoras do livro Gerações Leminski

Livro reúne escritos de vários familiares de Paulo Leminski

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Paris de Cartier Bresson e Eduardo Macarios

Foto integra exposição em Curitiba

A capital francesa é tema de muitas obras artísticas. Incontáveis fotos ficaram famosas retratando cenas da cidade, por exemplo. Mesmo assim, parece que há sempre algum detalhe, algum momento ainda não havia sido registrado. Alguns destes instantes podem ser vistos na exposição Paris, do fotógrafo curitibano Eduardo Macarios, que tem como tema o cotidiano parisiense.

Eduardo conta que começou a se interessar por fotografia durante uma viagem que fez à Austrália. “Antes de ir ganhei uma câmera digital dessas de turista, bem simples. E usei para registrar tudo que via! Acho que foi a primeira coisa que realmente me interessei. Quando vi, já estava pesquisando sobre técnicas, fotógrafos... eu tentava fazer as mesmas fotos que via em livros e na internet”. 
Eduardo inspirou-se em obras literárias
A exposição fica aberta até o fim deste mês na Livrarias Curitiba do Shopping Estação, e é a segunda exposição individual do fotógrafo. “Já participei também de uma coletiva em Bournemouth na Inglaterra, e outras duas em Curitiba”, relata. Em Paris é possível ver captadas pelas lentes da câmera o sentimento de cada momento retratado. “As fotografias que escolhi para essa exposição são da última vez que estive lá, em 2009. Foram apenas 4 dias. Antes disso, estive lá outras duas vezes, mas foi a primeira vez no verão. A experiência é outra”, lembra-se o fotógrafo.

As fotos são baseadas em obras literárias. Ele explica como surgiu a ideia: "Foi meio por acaso. Tenho o costume de ler algo de um escritor local ou algo que se passe na cidade onde estou. Nessa última viagem fui à famosa livraria Shakespeare and Company. Saí de lá com o livro "A Movable Feast", de Ernest Hemingway. Nesse livro ele conta como eram os dias em que morava lá, o que fazia e aonde gostava de ir por exemplo. Usei esse livro para me guiar por uma Paris de 50 anos atrás”, confessa.

De início Eduardo escolheu três autores para inspirar seu trabalho: Ernest Hemingway em Movable Feast, Jack Kerouac em "Satori" in Paris e George Orwell em "Down and Out in Paris and London". “Gosto do estilo de escrever do Kerouac, por exemplo, o fluxo de consciência. É mais ou menos como eu fotografo. Talvez porque eles frequentavam lugares que hoje estão fora da rota "turística". Orwell foi praticamente um miserável em Paris, Kerouac estava quase sempre bêbado, de café em café. Já Hemingway conta dos passeios pela Ile St. Louis”,entusiasma-se.

De acordo com Eduardo, o processo de trabalho foi natural. “O que eu lia a noite no quarto do hotel, eu via nas ruas durante o dia. Os garçons dos cafés, senhores nas ruas em Montmartre carregando uma baguete e jornal, bêbados elegantes na madrugada, jovens artistas... são personagens desses livros que passei a ver no dia a dia em Paris, quase 60 anos depois”,conta.

Sobre possíveis semelhanças entre a capital francesa e a capital paranaense, Eduardo acredita que existem muitas. “Curitiba é um grande centro urbano cheio de personagens e acontecimentos, e isso é o objeto do meu estudo. É a relação das pessoas com o espaço público”. Ele ainda destaca algumas diferenças. “Talvez Curitiba não tenha o mesmo "charme" de Paris, se dá para dizer assim. Pra mim outra diferença é o aspecto cultural. Curitiba tem seus movimentos e seus modismos, mas parece que nada é levado a sério. Há poucos espaços de qualidade para se expor, por exemplo, e quase não há incentivo”, aponta.

Eduardo diz ainda que está focado em seu trabalho comercial. O fotógrafo realiza o registro de casamentos. “Trabalho com fotografia de casamento, basicamente, atuo da mesma forma que atuo nas ruas. Fotografo as pessoas, os noivos e convidados de forma espontânea e natural. É como documentar a história daquele dia”, anima-se.

Conheça mais o trabalho de Eduardo Macarios: Andante – livro resultado de um trabalho fotográfico em várias outras cidades do mundo.

Quem deseja entrar em contato com Eduardo pode acessar o site -www.eduardomacarios.com.br, enviar um email - eduardo@eduardomacarios.com.br. E aos mais ligados em redes sociais ele avisa: Também estou no twitter:  @macarios.



Trecho de uma das obras que inspirou Eduardo


 Serviço:

Exposição: Paris
Local: Livrarias Curitiba Shopping Estação
Data: de 1 a 31 de agosto




Redação: Luana Gabriela
Fotos: Eduardo Macarios e divulgação