segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Bienal do Livro: Uma Oportunidade para quem gosta de leitura crescer e para quem não gosta descobrir



No primeiro semestre do ano Curitiba respira cultura. Em janeiro, recebe a Oficina de Música; em março, o Festival de Teatro. Mas apesar das feiras de livros, distribuídas ao longo do ano, faltava mesmo um evento de grande porte na área literária. Faltava. Já está confirmada a primeira edição da Bienal do Livro do Paraná.


Segundo Rogério Pereira, idealizador do jornal literário Rascunho e curador do Café Literário, a Bienal é uma oportunidade para fomentar o hábito da leitura entre os curitibanos. “Todo evento, cujo protagonista é o livro, tem o nobre objetivo de incentivar a leitura. A Bienal do Livro do Paraná será um marco em eventos literários em Curitiba”, diz.

Um dos objetivos é proporcionar uma maior aproximação entre leitor e autores e ainda firmar a cidade no circuito literário nacional. “Além de aproximar os leitores dos livros e de importantes nomes da literatura nacional, a Bienal coloca a capital paranaense no mapa dos grandes eventos nacionais”, conta. Rogério também aponta outros benefícios da realização do evento na cidade. “A Bienal movimentará a economia local, criará empregos e abrirá novas perspectivas comerciais para o mercado editorial paranaense”, explica. De acordo com a organização, são esperados 200 mil visitantes durante os de dias do evento.

A Bienal segue exemplos de sucesso, como o das Bienais do Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais. É o que afirma Tatiana Zaccaro, Gerente do Núcleo Bienal do Livro da Fagga, empresa responsável pela organização e divulgação do evento. “A proposta do evento segue o modelo bem sucedido dessas outras Bienais e conta com uma diversificada programação cultural. Não é um evento que vise apenas o lado comercial. A Bienal do Livro que estamos levando para o Paraná é sim um programa para toda a família, todas as pessoas, com ações voltadas para crianças, jovens e adultos. O objetivo é aproximar o visitante do lúdico e misterioso mundo dos livros e da literatura, incentivando assim o hábito da leitura”, afirma.

Serão ao todo, 60 expositores, cerca de 40 autores e mais de 80 sessões na Programação Cultural. O público terá oportunidade de encontrar seus ídolos e debater literatura no Café Literário. As crianças podem participar do Circo das Letras, o espaço vai proporcionar uma viagem inesquecível ao mundo dos livros, com apresentações diárias para estimular, de maneira lúdica, o prazer de ler. O evento tem um projeto exclusivo: a Visitação Escolar. Tatiana explica: “O projeto permite uma participação especial para estudantes de escolas públicas e particulares. Além da oportunidade de se aproximar do mundo dos livros, estimulando a imaginação”, conta.


Entre os autores que já confirmaram presença estão Cristovão Tezza, José Castello, Márcio Souza e Ana Miranda. A organização do evento ainda aguarda a confirmação de outros autores com destaque em diversos gêneros da literatura nacional. A cena literária local está bem representada, segundo Rogério. “No Café Literário, autores nacionais e paranaenses dividirão os encontros. A curadoria não faz distinção entre autores nacionais e locais. Até porque muitos autores de Curitiba têm grande destaque no cenário nacional. Exemplo: Cristovão Tezza e José Castello. Além disso, todos os mediadores do Café Literário serão jornalistas e escritores curitibanos. A cidade estará muito bem representada durante os 10 dias da Bienal”, explica.

O Jornal Literário Rascunho tem distribuição garantida no evento. “Com certeza, a Bienal e os autores convidados terão atenção especial na edição de outubro do jornal. E ainda, em parceria com a Livrarias Curitiba e a Fundação Cultural de Curitiba, cerca de 3 mil exemplares do Rascunho serão distribuídos durante a Bienal”, conta Rogério.


Além das ações culturais, a feira também vai reunir livrarias, editoras e distribuidoras que comercializam títulos em seus estandes. Entre as empresas que já confirmaram presença estão: Livrarias Curitiba, Senado Federal, Editora Vozes, Barsa Planeta, Edições Paulinas, Editora da Universidade do Paraná, Companhia das Letras, Sextante, Record, Rocco, Editora Minuano, Editora Escala, entre outras.


As editoras estão se programando para realizar lançamentos durantes os dez dia de evento.



Serviço:
Data: 1º a 10 de outubro
Local: Estação Convention Center.
Outras informações: www.bienaldolivrodoparana.com.br

A leitura tem sido foco de diversas ações este ano na capital paranaense, confira matéria sobre as Casas de Leitura e a Estação da Leitura.


Conheça mais sobre o Jornal Literário Rascunho, que este ano comemora 10 anos.


Redação: Luana Gabriela
Ilustração: Divulgação

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Viagem: Do Pinheiro para qualquer outro lugar da Terra

Do trabalho para casa, ou do trabalho para a faculdade e aí para casa. A rotina é embalada no ritmo do andar e frear dos ônibus no trânsito caótico das 07h às 08h e das 18h às 19h. Qual tempo dedicado à leitura nesse dias tão corridos? As horas que se passa indo de um lugar para outro. Quem se identifica com a situação descrita tem motivo para comemorar. Desde o dia 16 abril funciona no Terminal do Pinheirinho a primeira Estação da Leitura de Curitiba. O projeto faz parte de um programa de incentivo à leitura na capital paranaense.


Intitulado Curitiba Lê, o programa teve início no último mês de abril e é de responsabilidade da Fundação Cultural de Curitiba (FCC). Além da Estação da Leitura a cidade também conta com 13 novas Casas da Leitura, espalhadas pelos bairros do município.


Confira abaixo entrevista realizada com Mauro Tietz, Coordenador de Literatura da Fundação Cultural de Curitiba.


No último mês de abril teve início o programa Curitiba Lê, com o objetivo de aumentar em quantidade e qualidade os índices de leitura na cidade. Mas já há bastante tempo existe nas ruas da cidadania bibliotecas onde o cidadão pode emprestar livros, qual o acréscimo que a criação das Casas de Leitura fará em relação a estas outras bibliotecas?


Na verdade, a partir de abril estas Bibliotecas também se transformaram em Casas de Leitura. É importante frisarmos, de início, que cada vez que falarmos em Leitura nesta entrevista estamos nos referindo à leitura de textos de Literatura Artística. Podemos pensar que uma Casa de Leitura abriga muito da idéia de uma Biblioteca, mas marca de maneira clara e inequívoca sua vocação para a Leitura. Consequentemente, suas preocupações e ações estão voltadas para a Leitura. E aí, creio, se inicia uma diferença substancial. No entanto, antes de apontá-la é preciso que se leve em consideração alguns aspectos. É fato sabido, por pesquisa ou pela vida prática quotidiana, que nosso país tem um dos povos que menos lê entre os países das Américas e da Europa, e provavelmente perdemos também para muitos países da Ásia. Hoje podemos considerar a leitura como um problema social. A ausência de relações entre as pessoas e a leitura é um problema que precisa ser tratado, enfrentado. Sabemos também que um povo leitor é um povo mais cidadão e que alcança patamares mais qualificados de vida em comunidade. Ora, a partir destas considerações, parece óbvio que tenhamos que procurar intensificar as relações entre as pessoas e a leitura. É justamente neste contexto que surge a Casa da Leitura. Entendendo a leitura como uma prática que precisa ser implantada junto à população, o projeto Curitiba Lê, do qual as Casas de Leitura fazem parte, tem duas grandes frentes de trabalho: 1 - Ações desenvolvidas diretamente com a população para incentivá-la a ler; 2 - Pesquisas, estudos e formação na área da Leitura.


Quanto às ações do item 1, citamos principalmente as Rodas de Leitura, implantadas nas próprias Casas da Leitura e em espaços da comunidade adjacentes às mesmas. As Contações de Histórias, com a mesma dinâmica e visitas monitoradas às Casas e os Ciclos Especiais de Leitura. Além disso um bom acervo de Literatura Artística e de Teoria da Literatura e da Leitura. Na área da pesquisa e da formação temos programas para formação de Agentes Mediadores de Leitura, seminários, palestras, oficinas, entre outros.


Desta forma a Casa da Leitura por suas ações e especifidades próprias da Leitura de Literatura Atística, acredito, se diferencia da idéia tradicional de Bibliotecas.


Confira abaixo endereço das Casas de Leitura.


Para quem se interessar em participar dos Ciclos de Leitura onde é possível conferir a programação e os locais de encontro?


No site http://www.funcacaoculturaldecuritiba.com.br/, no link Literatura, é possível obter informações sobre nossa programação.

Há algum contato entre a FCC e o jornal Rascunho, que este mês completa 10 anos, no sentido das Casas de Leitura e a Estação receberem o jornal já que é um produto voltado à Literatura e produzido na cidade?


Há anos exemplares do jornal Rascunho são distribuídos em todos os nossos espaços.



Casas da Leitura (endereço e telefone):

Casa da Leitura Augusto Stresser
Centro de Criatividade de Curitiba - Rua Mateus Leme, 4.700 –
Parque São Lourenço - Fone: 3254-6802


Casa da Leitura Manoel Carlos Karam
Rua Batista Ganz, 453 - Parque Barigui –
Fone: 3240-1101


Casa da Leitura Paulo Leminski
Rua Padre Gaston, s/n° - Cidade Industrial
Fone: 3212-1402


Casa da Leitura Jamil Snege
Rua da Cidadania da Fazendinha - Rua Carlos Klentz, s/nº
Fone: 3350-3973


Casa da Leitura Maria Nicolas
Rua da Cidadania de Santa Felicidade - Rua Santa Bertila Boscardim, 213
Fone: 3374-5017


Casa da Leitura Walmor Marcelino
Rua Lupianópolis, 12 - Vila Tecnológica - Bairro Novo –
Fone: 3298-6319


Casa da Leitura Wilson Martins
Rua da Cidadania do Carmo - R. Marechal Floriano Peixoto, s/nº -
Boqueirão - Fone: 3313-5512


Casa da Leitura Osman Lins
Rua da Cidadania do Pinheirinho - Av. Winston Churchil, s/nº -
Fone: 3212-1514

Casa da Leitura Franco Giglio
Rua Jerônimo Durski, 1039 - Bigorrilho -
Fone: 3240-1102

Casa da Leitura Hilda Hilst
Rua Rodolfo Senff, 223 - Jardim das Américas -
Fone: 3361-2303

Casa da Leitura Miguel de Cervantes
Praça Espanha - Rua Carlos de Carvalho, s/nº - Batel -
Fone: 3321-2821


Casa da Leitura Nair de Macedo
Rua da Capitania, 57 - Guabirotuba -
Fone: 3296-3312

Casa da Leitura Dario Vellozo
Praça Garibaldi, 7 - Centro -
Fone: 3321-3268





Estação da Leitura


Divulgação

O acervo disponibilizado na Estação da Leitura é composto pelos mais variados estilos. Vai de Kafka a Carpinejar, passando por George Orwell, Julio Cortázar, Garcia Marquez e Carlos Heitor Cony. Segundo Tietz, para elaboração do acervo foi especialmente montada uma comissão de profissionais da área. De acordo com Manoel Ribas Martins, funcionário da FCC, que atende à população em um dos horários mais corridos (18h-19h) neste período de 18 dias de funcionamento já foram emprestados aproximadamente 1.250 livros.


O sistema de empréstimo é simples. Basta levar um documento com foto e um comprovante de residência, efetuar o cadastro e escolher qual o livro vai levar para casa. Podem ser emprestados dois títulos a cada vez.

Rharlei Dias, 17 anos, devolvia o primeiro livro que havia emprestado, Cabeça A Prêmio de Marçal Aquino. “A Estação da Leitura facilita bastante a vida de quem tem preguiça de ir à biblioteca”, diz. Para Raul dos Santos Cordeiro Junior, 23, além da localização o horário também é um diferencial. “É bom para quem não tem tempo de ir à Biblioteca ou Farol. E o horário é bem flexível, une o útil ao agradável”, comemora.


A Estação fica aberta das 6h30 às 21h30 de segunda a sexta e aos sábados das 6h30 às 14 horas.


Martins conta que entre os autores mais procurados estão Clarice Lispector, Jean Paul Sartre, Machado de Assis, Dalton Trevisan, Stephen King, Oscar Wilde, Jô Soares e Fernando Pessoa.


Tietz afirma que há previsão de que cada terminal da cidade receba uma Estação da Leitura.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Miguel Sanches Neto fala sobre literatura e escrita

De onde você é? O que você faz? Não são perguntas tão simples de serem respondidas. Não para alguém como Miguel Sanches Neto, que nasceu em um lugar e sente-se parte de outro e que tem mais de uma "profissão". Esta e outras questões foram abordadas por ele no texto Um Igual , publicado do jornal Gazeta do Povo. Já que estas perguntas são complexas e de difícil resposta, ele responde outras sobre o que mais entende literatura. Em entrevista concedida por email Sanches Neto, que lançou este ano o polêmico Chá das Cinco e no segundo semestre lança o livro de contos Então você quer ser escritor?, fala sobre a literatura nacional e regional, sobre a função da arte e dá dicas para quem deseja ser escritor.
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Em seu texto, Um igual, publicado na Gazeta do Povo (30/03/2010) você lembra que Carlos Drummond de Andrade era funcionário público e escritor. Vem de longa data a necessidade que os escritores têm de se virar em outra profissão, a palavra não alimenta? Foi assim com você também?

Não temos um mercado para a literatura nacional. Nossa literatura moderna optou por romper com o público, fazendo uma literatura para contentar os críticos universitários. Nossa literatura anterior ao modernismo não contava com uma população alfabetizada. Então, desde sempre houve necessidade de ter um emprego. Eu acho isso bom, pois permite que o escritor viva dentro de situações sociais reais.


No mesmo texto você expressa: ... continuo acreditando na arte como deslocamento, como desconforto pessoal e coletivo. A arte não pode afagar feridas e egos, ela tem de cutucar machucados e incomodar o amor próprio?
A função da arte não é entorpecer o fruidor, mas mexer com ele, levá-lo a ser um inconformado. Ela causa dor. Mas também causa prazer. Um prazer doloroso, poderíamos dizer.


Você já escreveu crônicas, contos, romance. Com qual estilo se identifica mais ao escrever, e por quê?
Com o romance, pois é nele que cabem todos os outros gêneros. Ele permite ao escritor uma variação muito grande de recursos. Podemos dizer mais nele.


Na estante de quem quer escrever quais títulos e quais autores não podem faltar?
Os títulos dos autores que fazem parte da sua família espiritual. Primeiro, você tem que saber a qual família você pertence. Descobrindo isso, tem que buscar os grandes desta linhagem. Então, a lista de livros essenciais varia de pessoa para pessoa, e a minha só serve para mim.


Você certa vez afirmou que só existe autor se existir público. Diante dessa afirmativa cria-se o quadro: É preciso publicar um livro para aí ser escritor? E mais, hoje, com a internet, a popularização dos blog´s, muita gente escreve e é lida é o suficiente para ser literatura e caracterizar o blogueiro como autor?
Claro, não importa o meio em que se é lido, o importante é ser lido. Agora, eu acredito que no meio papel há uma leitura mais densa. Mais material. Então, a gente se sente mais autor quando publica um livro. Mas é apenas uma impressão.




Quais considerações pode fazer sobre a literatura paranaense contemporânea? Há alguém despontando no mercado editorial que mereça destaque?
A literatura paranaense é quase toda ela uma literatura curitibana. Hoje, não acompanho mais os lançamentos, então não posso fazer apostas com o mínimo de segurança. Dos que acompanho, eu apostaria no Rogério Pereira e no Pellanda, que começam uma trajetória como autores.




Você é professor de literatura. Assim com inicial minúscula como você fez questão de escrever no texto já mencionado. Em todos estes anos de sala de aula, qual o maior erro que percebeu nos alunos da área literária?
Querem ser professores de literatura e não lêem literatura, apenas textos teóricos. Querem saber escrever e só lêem traduções e textos mal escritos.


O que está lendo agora?
Acabei de ler A morte de Matusalém, contos de Isaac Bashevis Singer. Este escritor judeu fala do conflito entre o mundo religioso e o material, entre a crença e o vale-tudo do materialismo, e seus contos, neste livro, tratam sobre a traição – conjugal, histórica, étnica, mística. E são escritos por um grande fabulador, talvez o mais importante narrador do ocidente no século XX. E nos re-ensina a contar histórias. Li praticamente todos os livros dele.


Para este ano há algum lançamento seu previsto?
Acabei de lançar o romance Chá das cinco com o vampiro (pela Objetiva) e lanço em agosto um volume de contos (Então você quer ser escritor?) pela Record. É neste livro que estou trabalhando agora.


Para quem deseja se lançar no mercado editorial, quais são as suas dicas?
Desenvolver outros trabalhos editoriais paralelos à escrita criativa. Fazer crítica para jornais e blogs, organizar volumes temáticos, fazer tradução, ou seja, ter uma vida editorial antes de ter livros para oferecer aos editores. Fazer-se minimamente conhecido.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ateliê do Ócio - uma ideia inédita no Brasil

Qual espaço você tem em sua agenda para fazer nada? Quantas vezes já ouvir falar em ócio criativo? Já experimentou ficar sem fazer nada, mas pensando muito, e fazer disso um lazer? Esta é a proposta do Ateliê do Ócio. O criador Tom Lisboa, Mestre em Comunicação pela Universidade Tuiuti do Paraná, conta como surgiu a ideia de desenvolver o espaço que é inédito no Brasil. 

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Como surgiu a ideia de abrir o espaço  Ateliê do Ócio?
 Eu percebi que bibliografia disponível sobre o ócio e o tempo livre era extensa, autores acabaram se consagrando por teorizar a importância de uma educação continuada para o tempo livre (como é o caso de Domenico De Masi), mas em nenhum destes livros eu encontrei um modelo prático a ser seguido. Para preencher esta lacuna, eu criei a Drops Cultural, uma empresa voltada para o Treinamento para o Tempo Livre. Entre as várias atividades disponíveis (como idealizar e montar exposições, assessoria cultural para executivos e organizar eventos) está o Ateliê do Ócio.

Claro que havia vários enfoques possíveis quando  pensei em idealizar uma empresa que “treinasse alguém para o tempo livre”. Acabei optando pelo treinamento através da arte e do aprimoramento cultural. Por ser artista visual com especialização em marketing e mestrado em comunicação, consigo ver claramente como a arte e o universo de criação dos artistas podem renovar a rotina e estimular a capacidade imaginativa das pessoas. Em uma época em que a inovação e a criatividade são atributos cada vez mais valorizados no mercado (e na própria vida), o ser humano precisa estreitar sua ligação com a arte.

Qual a proposta do Ateliê do Ócio?
O Ateliê do Ócio é um espaço onde aprendemos disciplinas que deveriam ser tão importantes quanto a que aprendemos na escola ou na universidade, tais como aprender a ver um bom filme, escutar músicas menos comerciais e entender arte contemporânea. Atualmente, há quem erroneamente julgue estes atributos como uma espécie de elitismo. Se for este o caso, eu sou a favor do lema “elitismo para todos”.  Conhecimento é um direito ao qual o ser humano tem direito e evoluir a partir dele faz parte de seu crescimento.

Há quanto tempo este evento acontece, e com que frequência?
A Drops Cultural foi lançada em 2005, mas era voltada apenas para conceber e montar exposições e organizar eventos culturais. Foi nesta época que eu idealizei o Ateliê do Ócio. Durante quatro anos, eu me dediquei a preparar seu conteúdo, montar aulas, gravar e editar material audiovisual para ser exibido e selecionar textos para leitura. O primeiro Ateliê foi feito ano passado, na Livrarias Curitiba. Atualmente, ele está sendo implantado em empresas (o SESI é um dos clientes), visando estimular a criatividade, eliminar os efeitos negativos da rotina, criar novas relações no ambiente de trabalho e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Qual a dinâmica das reuniões?
As reuniões são todas planejadas, mas não há um formato fixo. O conteúdo é sempre sobre cinema, artes visuais, literatura, música, moda ou design. Não tenho como hábito divulgar o que vai ser apresentado. Acho bom estimular o gosto pela experimentação antes do(a) aluno(a) chegar no local. Em cada encontro eu ministro pequenas palestras, apresento filmes, exibo documentários, distribuo textos e, a partir disto, estimulo muito a reflexão do grupo e oriento os debates.
Outra parte obrigatória é a Agenda Cultural, que traz sempre dicas interessantes de atividades e locais para quem quer aprender a sair da rotina e descobrir novas opções de entretenimento. Ao contrário do que se pensa, entretenimento não é algo vazio. Infelizmente,  há quem pense que se distrair é apenas “ir ao cinema para não pensar”.

Como é formado o público que comparece ao Ateliê?
 Difícl responder esta pergunta porque ele é muito variado. Pessoas dos 17 aos 65 anos já frequentaram o Ateliê do Ócio e vários tipos de profissionais. Aliás faço questão de dizer no material de divulgação que o único pré-requisito para participar é “querer sair da rotina”.

Onde os encontros acontecem?
 De modo aberto e gratuito, apenas na Livrarias Curitiba, uma vez por mês. As datas podem ser verificadas no site ou na publicação impressa da empresa.
No entanto, o Ateliê do Ócio é realizado em empresas, associações e até mesmo em pequenos grupos fechados. A educação para o tempo livre proposta pela Drops Cultural não obedece certos padrões estabelecidos de ter uma grade horária fixa ou sede própria.

Para outras informações acesse o  site da Drops Cultural: www.dropscultural.com.br 
Ou ainda a página do idealizador do Ateliê do Ócio, Tom Lisboa: www.sinTOMnizado.com.br/tomlisboa

    Material de divulgação do Ateliê do Ócio

domingo, 18 de abril de 2010

Um Rascunho eternizado

Adjetivar como eterno um veículo que este ano comemora 10 anos de existência pode parecer um pouco exagerado. Mas não é. Isso porque o jornal literário Rascunho firmou neste período seu nome entre os maiores meios de comunicação com temática cultural do país. O reconhecimento vem do público, colaboradores e de grandes autores da literatura nacional, como Lygia Fagundes Telles e Dalton Trevisan.

O idealizador do jornal Rogério Pereira fala sobre o início do Rascunho, as parcerias e os próximos projetos.  Confira abaixo a entrevista completa.

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Capa nº 0


Rascunho completa em 2010 dez anos de existência. Como ele surgiu?

O Rascunho nasceu para ser um suplemento literário de Curitiba, sem grandes pretensões nacionais. Na época, os jornais da cidade não tinham (e até hoje não têm) um suplemento dedicado à literatura. Portanto, o jornal nasceu desta carência e da vontade de um grupo de jovens de fazer algo que consideravam interessante no jornalismo. Desde o início — e isso se explica, talvez, pelo ímpeto juvenil que nos rondava; todos tínhamos pouco mais de 20 anos e havíamos deixado a universidade recentemente —, o Rascunho sustentou uma proposta de crítica livre, sem vínculos com grupos, panelinhas, etc. Não queríamos fazer um suplemento parecido com o que ofereciam os grandes jornais. Partimos para uma “missão” um tanto iconoclasta. Hoje, mesmo com o amadurecimento do jornal, o Rascunho ainda é visto e reconhecido (o que é muito bom) como um veículo combativo, desapegado de tendências. Enfim, um amplo palco para discussões de maneira salutar e honesta. Também tínhamos uma preocupação em conceder espaço aos autores que estavam fora da grande mídia. Isso é uma marca do jornal que segue forte até hoje.



Neste período o jornal conquistou leitores, colaboradores e o respeito de autores consagrados como Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan e Miguel Sanches Neto. Qual a importância disso para a consolidação do jornal como um veículo cultural no país?
O reconhecimento é fundamental para a existência do Rascunho. Hoje, ele circula em todo o país e é reconhecido com um veículo importante no cenário cultural do País.


Como é feita a distribuição do jornal? Ele pode ser encontrado em todo território nacional?
O Rascunho é distribuído em todo o País pelo Correio para assinantes e cortesias. Além disso, tem diversoso pontos de distribuição em Curitiba, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Também é encontrado nas 17 lojas da Livrarias Curitiba no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Além disso, mantemos parceria de distribuição com o Itamaraty (25 embaixadas do Brasil recebem o Rascunho), Fundação Cultural de Curitiba, Secretaria Municipal da Educação, Biblioteca Pública do Paraná, entre outros.


Atualmente o Rascuho foi selecionado para receber recursos do governo federal. Como você pretende aplicar este recurso?
Os recursos do edital do MinC (venda de 7 mil assinaturas anuais) serão utilizados para pagar as dívidas do jornal, fazer um novo site e manter o jornal vivo por pelo menos mais um ano.

A partir do jornal surgiu o Paiol Literário. Qual o objetivo do Paiol Literário como evento cultural já integrado ao calendário da cidade?
O Paiol Literário é um espaço para o contato do público com os escritores. É uma troca muito interessante. O projeto tem memória, pois todos os encontros são gravados, transcritos, editados e publicados no Rascunho e no site. Em breve, teremos um livro com os encontros já realizados. Até agora, foram 38.

Qual o próximo autor que participará do Paiol Literário?
Ainda não definimos. Será em 19 de maio.

Neste mês de abril a Fundação Cultural de Curitiba lançou o programa Curitiba Lê. Que tem como função aumentar a qualidade e a quantidade da leitura na cidade. São mais de 10 Casas da Leitura e ainda uma Estação da Leitura – no Terminal do Pinheirinho, onde é possível realizar o empréstimo de livros. O que você acha desse tipo de iniciativa?
Acho imprescindível o trabalho do Estado na difusão e incentivo à leitura. Eu fui um dos curadores do acervo desta iniciativa da Fundação Cultural de Curitiba.


Há algum contato entre a Fundação Cultural de Curitiba e você para possibilitar a distribuição do Rascunho nessas Casas da Leitura e na Estação da Leitura?
Nós mantemos um acordo de distribuição do Rascunho em diversos pontos administrados pela Fundação. Com certeza, o Rascunho estará presente nestas novas iniciativas.

Para quem quiser fazer a assinatura do jornal, qual a forma?
Basta acessar o site www.rascunho.com.br, preencher um cadastro. A cobrança bancária é enviada por e-mail. O jornal segue pelo correio. Simples. A assinatura anual custa R$ 60,00.

Quais os próximos projetos seus relacionados ao Rascunho?
Neste ano, teremos antologia das melhores entrevistas do Rascunho nestes 10 anos. Serão 2 volumes com 20 entrevistas cada. Além disso, teremos um novo site.

 
                                                    Capa da edição comemorativa de 10 anos

quarta-feira, 31 de março de 2010

"Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos, mal rompe a manhã" Carlos Drummond de Andrade

O POETA
Sonha com poemas
e acorda na noite,
escrevendo com os dedos
versos no ar.
Adora
navegar sobre ondas de folhas em branco,
velejar nos cadernos novos,
pular sobre areias de palavras,
correr na praia procurando o Verbo.
Livros, cadernos, papéis e mais papéis...
Continua a lutar com ondas indomáveis,
organiza os termos,
mas só ancora no oceano dos sentimentos.
Nesse instante,
o poeta compreende o poder do caos primordial.
Isabel Furini
23/12/2008

Carlos Drummond de Andrade escreveu em seu poema O Lutador: Palavra, palavra/(digo exasperado),/se me desafias,/aceito o combate", e se o poeta é um lutador que luta com as palavras, é difícil saber se Isabel Furini, escritora argentina radicada em Curitiba, sai da luta como vencedora ou vai a nocaute. Isso porque Isabel usa as palavras com domínio marcial. O poema acima foi ganhador do primeiro lugar do Concurso de Poesia de São José dos Pinhais, em 2002. Isabel tem 15 livros publicados, além da coleção para o público infanto-juvenil: Corujinha e os Filósofos, da Editora Bolsa Nacional do Livro. Pela editora Instituto e Memória lançou no segundo semestre do ano passado O Livro do Escritor. A lutadora-escritora fala nesta entrevista sobre a arte de escrever, do que ela entende desde  criança.

 
Pablo Neruda, segundo se sabe, disse que escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias. É fácil assim mesmo?
Talvez para Neruda fosse fácil. Mas a maioria de nós trabalha bastante para colocar ideias no meio (entre a primeira e a última palavra de um texto).

Uma coisa interessante é que, muitas vezes, o conto, o poema, a crônica, o romance estão lá, em algum lugar do cérebro, e nosso enredo parece maravilhoso, porém, no momento em que decidimos passar o enredo para o papel, as coisas mudam. O enredo não parece o mesmo. É como se fosse um quebra-cabeça e percebemos que perdemos algumas peças no caminho e é difícil completar nosso trabalho.

Você ministra palestras sobre a arte de escrever, orientando quem deseja ser escritor e publicar um livro. Para ser considerado escritor, antes de tudo, é preciso ter um livro publicado?
Essa é uma discussão antiga e, muitas vezes, nas palestras as pessoas perguntam sobre o assunto. Mas o questionamento é complexo. Será que Proust só foi escritor depois de publicar seu livro ou ele já era um escritor desde o momento em que começou a escrever?

Outros consideram que existe diferença entre escritor e autor. Escritor seria quem se dedica a escrever, mas que escreve esporadicamente, por exemplo, quem faz uma obra sobre sua área de trabalho é um autor e não um escritor.

Quais dicas você pode dar para quem quer escrever um livro?
Escrever um livro é uma tarefa empolgante. Se for de ficção, o autor deve desenvolver o enredo passo a passo, alguns mestres do oriente falam que qualquer arte deve ser iniciada com cuidado, com leveza, como quem caminha pisando sobre papel de arroz. Acontece que o caminho do escritor é longo – e não é tão charmoso como as pessoas pensam. Escrever é um trabalho solitário. Então, a primeira dica é ter disciplina, escrever diariamente, ainda que seja uma página. E no mínimo uma vez na semana reler as páginas escritas procurando aprimorar o texto. Outra “dica” é estar sempre atento aos detalhes, caminhar pela rua, ouvir as pessoas. Observar gestos, atitudes, comportamentos e tomar notas daquilo que foi mais interessante. E depois, ao escrever um conto, um romance, analisar se algumas dessas notas podem servir para completar a construção de nossos personagens. Escrever é também aprender a ler o mundo.
O escritor Roberto Gomes, em entrevista ao Paiol Literário, evento realizado pelo jornal Rascunho, em Curitiba, disse que é preciso ler quarenta páginas para escrever uma linha. Você concorda com esta afirmação? Quais autores e obras você caracteriza como indispensáveis para quem deseja fazer literatura neste século XXI?
O escritor Roberto Gomes é muito experiente e deu um bom conselho. Se lermos quarenta páginas para escrever uma linha, imagine você como será interessante essa linha!

Realmente a leitura é imprescindível para o escritor. O trabalho consiste em ler, refletir, e só depois escrever, talvez, por isso, como falou Gomes, precisamos ler muito para escrever um pouco.

Nos últimos 20 anos, com a popularização do uso do computador e da internet, houve uma proliferação dos blogs. Com isso, criou-se um espaço para quem escreve poder publicar seus textos e ir conquistando visibilidade. Você vê isso de forma positiva para a literatura nacional?
Tem um aspecto positivo, pois a internet abriu um espaço democrático, e a juventude está escrevendo muito mais graças aos blogs. Alguns criticam porque muitas pessoas (jovens e adultos) escrevem em blogs espontaneamente, sem aprimorar os textos. Eu acho que ainda assim é uma maneira de se comunicar pela palavra escrita, uma maneira de trabalhar a escrita.

Quais são seus próximos projetos? Há algum livro sendo produzido?
O Livro do Escritor foi lançado pela editora Instituto Memória, em 1° de setembro de 2009. Nesse mesmo mês, comecei um novo trabalho também relacionado à arte de escrever, que pode ser considerado uma continuação de O Livro do Escritor, mas ainda não tem título. Também estou organizando um livro com meus poemas. Escrevo poemas desde criança, e a maioria é jogada fora, mas agora – graças ao meu Blog no Bondenews - eu tenho espaço para publicar meus poemas, pois poesia é um gênero difícil de publicar.




Para quem quiser entrar em contato com você, quais são as formas?
Podem entrar em contato pelo celular (41) 8813-9276 ou pelo e-mail livrocoruja@yahoo.com.br

Redação e Eentrevista: Luana Gabriela da Silva
Fotos: Divulgação